A médica cubana Emma Ferrer Blanco, 52 anos, atende desde o dia 27 de dezembro de 2013 pelo Programa Mais Médicos, do Governo Federal, no município de Sertão. É o único município da região que conta com uma médica que veio de Cuba e o processo da sua vinda para a região surpreendeu a administração municipal, pela facilidade com que aconteceu. Na época o secretário da Saúde de Sertão era Daniel Zimmer, que hoje ocupa a pasta da Fazenda. Ele conta que o município se inscreveu para receber um profissional, mas que não acreditava que seria contemplado. “Nos interessamos e nos inscrevemos para receber um médico pelo programa e alguns dias depois, fomos chamados para uma reunião em Porto Alegre, juntamente com representantes de outros municípios, que também foram contemplados. Jamais pensávamos que receberíamos um médico vindo de Cuba”, conta.
O prefeito Marcelo D’Agostini afirma que, desde que sua administração assumiu a prefeitura no dia 1º de janeiro de 2013, a Saúde sempre foi uma prioridade. “Logo no início da nossa gestão começamos a pagar para que os médicos fizessem plantões no Hospital São José. Nós começamos a procurar pelo Programa Mais Médicos já no começo daquele ano e tivemos uma resposta muito positiva”, diz. Desde que chegou a Sertão, a médica Emma atende em um posto de Saúde no Distrito Engenheiro Luiz Englert. De acordo com o contrato, ela deve permanecer por três anos com os atendimentohe a cada período de um ano, recebe um mês de férias para visitar seus familiares em Cuba.
Formada pela Universidad de Havana no ano de 1985, Emma diz que já trabalhou na Venezuela e na Bolívia e que pensou que nunca mais ia sair em longas viagens por motivos profissionais. Em Sertão, ela tem uma casa mobiliada à sua disposição (alugada pelo valor de R$ 1.750), recebe uma verba de R$ 500 para que possa comprar seus mantimentos e também recebe todos os valores com relação ao seu transporte. Tudo é custeado pela administração municipal. Apesar da distância da família, ela conta que está feliz em Sertão. “Recebi uma ótima acolhida aqui nesta cidade e as pessoas são muito boas. Gosto muito do meu trabalho. Consigo me fazer compreender e entendo muito bem a Língua Portuguesa. Gosto muito do trabalho que estou desenvolvendo aqui, diz Emma.
O marido, um técnico em refrigeração, de 57 anos e os três filhos, de 31, 26 e 21 anos, permaneceram em Havana e ela conta que quando deu a notícia de que viria para o Brasil para trabalhar, todos ficaram surpresos em um primeiro momento. Depois, ela revela que a situação foi compreendida por todos os seus familiares. “Eles me apoiaram e disseram que iriam se comportar enquanto eu estiver aqui e que eu deveria fazer aquilo que seria bom para mim”. Ela informa que já estava há sete anos trabalhando em Cuba e que não pensava mais em fazer viagens ao exterior para trabalhar.
Com relação às atitudes tomadas por sua colega, a médica cubana Ramona Mattos Rodriguez, que protestou contra os valores salarias que estaria recebendo e que pediu asilo político ao Brasil, Emma diz que jamais tomaria tal atitude e que quando sua colega se propôs a trabalhar pelo Programa Mais Médicos, do Governo Federal brasileiro, sabia de todas as condições. “Eu nunca teria coragem de fazer o que minha colega fez”.
A funcionária pública municipal Marilúcia Brock, 43 anos, diz que o atendimento da médica Emma sempre lhe atendeu de forma muito satisfatória e que não há dificuldades de comunicação. “Gostei muito do atendimento dela e também levei meu filho para que fosse atendido. Inicialmente pensei que não fosse conseguir entendê-la, mas a entendi muito bem e a achei muito querida. Ela me receitou os remédios, fiz o tratamento e foi ótimo”, completa.
Na foto: O prefeito Marcelo D’Agostini, a médica cubana Emma Ferrer Blanco e a secretária de Saúde do município de Sertão, Maria de Fátima Meira Sandini, no gabinete do prefeito.











