Um relatório divulgado nesta semana por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos acusa a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial finalidade militar. Entre os locais mencionados no documento estão duas estruturas em território brasileiro.
O texto demonstra preocupação especial com a participação chinesa em uma estação localizada na Bahia, desenvolvida em parceria com uma empresa de satélites. Parlamentares norte-americanos afirmam temer a perda de hegemonia militar na região, historicamente considerada por Washington como sua esfera de influência.
O documento foi elaborado pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, criada em 2023 e composta por deputados democratas e republicanos. O grupo tem como objetivo formular estratégias para enfrentar a China nos campos econômico e militar.
Intitulado “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a órbita da China”, o relatório afirma que Pequim vem ampliando laços de cooperação científica e estratégica na área espacial com países latino-americanos, ao mesmo tempo em que estrutura uma rede de bases que poderiam ter aplicação militar.
Segundo o texto, a China utiliza infraestrutura espacial na região para coletar informações sobre adversários e fortalecer capacidades do Exército Popular de Libertação. O relatório sustenta ainda que essas instalações fariam parte de uma rede de defesa espacial capaz de oferecer vigilância global contínua e apoio a operações estratégicas.
No caso brasileiro, a comissão cita a Estação Terrestre de Tucano, na Bahia, e um laboratório de radioastronomia na Serra do Urubu, no sertão da Paraíba.
A estação de Tucano foi estabelecida a partir de um acordo firmado em 2020, durante o governo Bolsonaro, entre a startup brasileira Alya Nanossatélites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology. De acordo com o relatório, a empresa chinesa fornece dados de comunicação de longa duração entre espaço e Terra para missões tripuladas e satélites de reconhecimento.
Os parlamentares também destacam como pontos de preocupação o fato de o local exato da estação não ser amplamente divulgado, a existência de acordos de transferência de dados e tecnologia e a participação da Força Aérea Brasileira no projeto.
O relatório conclui que a presença chinesa poderia permitir a instalação de um posto de rastreamento espacial, além de abrir espaço para influência sobre a doutrina espacial militar brasileira, consolidando uma presença permanente considerada estratégica para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Com informações do Jornal O Sul











