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Falta de diesel e alta nos preços pressionam caminhoneiros no Sul do país Profissionais relatam dificuldades para abastecer, aumento de custos e risco de paralisação das atividades

A escassez de diesel e a alta constante nos preços do combustível têm causado preocupação entre caminhoneiros que circulam pela RS-324, na saída para o distrito de Amaral, em Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul. Profissionais da estrada relatam dificuldades para abastecer, aumento nos custos operacionais e incertezas quanto à continuidade do trabalho.

Com 25 anos de experiência na profissão, o caminhoneiro Rogério descreve o impacto direto da falta de combustível em sua rotina. Segundo ele, ao se preparar para uma viagem recente, encontrou postos sem diesel disponível, o que o obrigou a buscar alternativas fora da rede credenciada em que costuma abastecer.

“Além de já estar caro, tive que pagar ainda mais caro em outro posto. Isso reduz ainda mais a nossa margem de lucro”, afirma.

A situação, segundo ele, já ultrapassou o limite do aceitável. Rogério também destaca que a categoria aguarda um posicionamento das empresas contratantes quanto à atualização dos valores de frete. “Se não houver reajuste, vai ficar inviável continuar trabalhando”, alerta.

Outro motorista, Diego Fior, também de Passo Fundo, reforça o cenário de dificuldade. Ele afirma que os aumentos no diesel não foram
acompanhados por reajustes nos fretes, o que compromete a renda dos caminhoneiros.

“Já não sobrava muita coisa antes, agora sobra menos ainda. Está cada vez mais difícil trabalhar na estrada”, relata.

Diego ainda aponta que muitos profissionais estão deixando a atividade. “Tem muita gente vendendo caminhão ou parando, porque não está compensando”, completa.

A realidade não se limita ao Rio Grande do Sul. A caminhoneira Jéssica Teixe, de Blumenau, em Santa Catarina, afirma que o problema também atinge seu estado. Segundo ela, há falta de diesel em diversos postos, além dos preços considerados abusivos.

“A situação é preocupante porque afeta todo mundo. Quando o diesel sobe, o frete aumenta e isso acaba refletindo no preço dos produtos para a população”, explica.

Jéssica, que faz rotas frequentes entre Santa Catarina e Passo Fundo, diz que, apesar de conseguir retornar para casa com certa frequência, a incerteza sobre o futuro da profissão é crescente.

“É uma preocupação muito grande. A gente não sabe como vai ser daqui para frente”, conclui.

Diante desse cenário, o setor de transporte rodoviário enfrenta um momento de instabilidade, com impactos que podem se estender para toda a economia, especialmente no custo de mercadorias e no abastecimento de produtos em diversas regiões do país.

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