Foi lido e aprovado nesta semana, na Câmara Municipal de Passo Fundo, o relatório final da Comissão Especial de Valorização dos Profissionais da Educação, presidida pela vereadora professora Regina Costa dos Santos (PDT). O documento reúne dados e percepções de educadores da rede municipal e traça um panorama preocupante sobre as condições de trabalho, saúde e valorização da categoria.
Durante os trabalhos da comissão, foram aplicados dois formulários junto aos profissionais da educação com o objetivo de compreender o cenário atual e os sentimentos de quem está diariamente nas salas de aula do município.
Entre os participantes, 96,4% atuam na rede pública municipal e 49,5% possuem carga horária semanal de 40 horas. Os dados revelam que cerca de 79,6% afirmam existir sempre e/ou frequentemente sobrecarga de trabalho, enquanto 42,2% consideram a segurança no ambiente escolar apenas regular.
A insatisfação com as condições profissionais também aparece de forma expressiva: 69,7% dos participantes avaliam que a remuneração não é compatível com a responsabilidade e a carga de trabalho, e 55,3% entendem que o plano de carreira municipal não contempla adequadamente suas funções.
Segundo a vereadora Regina Costa dos Santos, os resultados evidenciam uma realidade que precisa de atenção urgente do poder público. “Estamos falando de profissionais essenciais para o futuro da nossa cidade. Quando 70% deles já pensaram em desistir, isso é um alerta claro de que algo precisa mudar”, afirmou.
Saúde dos profissionais
O levantamento mostra impactos significativos na saúde dos educadores. Cerca de 70,6% disseram que, em algum momento, já pensaram em abandonar a profissão. Além disso, 41,5% relatam que o trabalho frequentemente afeta sua saúde física, enquanto 31,1% afirmam que a atividade sempre impacta sua saúde mental e emocional.
Mais da metade dos participantes (51,8%) informou já ter precisado se afastar do trabalho por motivos de saúde ao longo da carreira.
Quanto à organização interna das escolas, 46,6% consideram que as tarefas são apenas parcialmente divididas de forma justa e equilibrada. Outro dado preocupante é a percepção de desvalorização: quase 80% dos profissionais afirmam não se sentir reconhecidos pelos governantes nem pela comunidade escolar.
Para a presidente da comissão, o relatório também reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao cuidado com os profissionais da educação. “Não podemos exigir qualidade na educação sem garantir condições dignas de trabalho, valorização profissional e apoio à saúde física e emocional dos professores”, destacou.
Futuro da profissão
O estudo também abordou a atratividade da carreira docente entre os jovens. Para 89% dos entrevistados, os baixos salários são um dos principais fatores que desestimulam a escolha pela profissão. Já 80,7% apontam a sobrecarga de trabalho como elemento decisivo para a falta de interesse.
O relatório será encaminhado aos órgãos competentes e servirá como base para a formulação de propostas voltadas à valorização dos profissionais da educação no município.
O formulário de diagnóstico foi respondido por profissionais da educação, sendo priorizado a rede municipal de ensino. Também integram a comissão os vereadores Douglas Pereto (PSD), João Pedro Nunes (MDB), Edgar Gomes (PSDB) e Eva Valéria Lorenzatto (PT).










