“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas coisas ao sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos”. Depois de fazer a oração de louvor, Jesus nos faz um convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso”. A palavra de Deus da liturgia dominical convida a elevar a Deus uma oração de gratidão e ir ao encontro de Cristo para experimentar o descanso (Zacarias 9,9-10, Salmo 144(145) Romanos 8,9.11-13 e Mateus 11,25-30).
O catecismo a Igreja ensina que “o louvor é a forma de oração que reconhece o mais imediatamente possível que Deus é Deus! Canta-o pelo que ele mesmo é, lhe dá glória, por aquilo que ele faz. Participa da bem-aventurança dos corações puros que amam na fé antes de o verem na glória” (n.2639). Toda Escritura está recheada de orações de louvor diante das maravilhas operadas por Deus. Ao mesmo tempo, convida os fiéis a elevarem orações de louvor com todo o coração e em todo tempo. Pois, a oração de louvor é totalmente desinteressada, dirige-se a Deus, o canta por ele mesmo, lhe dá glória por aquilo que Ele é, mais do que pelo que Ele faz.
Quando contemplamos a nossa vida pessoal, da família e da sociedade temos muitos motivos para louvar a Deus, desde pequenos gestos de amor e misericórdia até fatos maiores. Jesus louva pelos sinais de Deus presentes nos pequeninos. Vivemos num tempo em que tudo deve ser excepcional, extraordinário, grandioso, supre, hiper, mega, nota mil, entrar no guinness. Da parte de Deus também se espera ações milagrosas, intervenções impactantes. Parece que se tem medo das coisas normais, simples e humildes. Os textos bíblicos nos convidam a valorizar, a redescobrir e a propagar que a simplicidade, a humildade é algo belo e bom. Simplicidade não é ser simplista, mas ser capaz de reconduzir as múltiplas coisas ao que é essencial, pois isto fundamenta a vida.
Jesus convida: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos fardos”. As causas da fadiga e do cansaço são as mais variadas. Existe uma multidão que carrega o peso de não ter as condições para satisfazer as necessidades básicas como: alimento, saúde, moradia digna. Há muitos refugiados e migrantes a procura de um lugar mais digno. Há multidões de sofredores por causa de desastres naturais. Outros, têm as condições materiais, alguns deles tem até demais, mas vivem insatisfeitos numa vida sem sentido. A todos se dirige o convite de Jesus: “Vinde a mim, todos vós…”.
Jesus promete dar “descanso’’ a todos, mas sob uma condição. “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração”. Qual “jugo” que alivia em vez de pesar ou conforta em vez de esmagar? O “jugo” de Cristo é o próprio Cristo, é a Lei do amor, é o seu mandamento deixado para os discípulos e para todos os seguidores. É o seu modo de agir, de se relacionar, de se posicionar diante das múltiplas situações vitais. Quando se coloca um jugo ou uma canga num animal é para permitir que possa potencializar a sua força e realizar a tarefa com menos dor e sofrimento. É um auxílio necessário.
Amar é um “jugo” porque é o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade, quer materiais, como a fome e as injustiças, quer para dar um sentido para a vida, quer para os problemas éticos, por dar um parâmetro. Para o cristão a fonte do amor é Deus. Jesus pede para aceitar o jugo do amor que faz a pessoa humilde, simples e “ter um coração semelhante ao do Senhor”, como se reza na Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.
Na carta aos Romanos, numa linguagem diferente, ressoa o mesmo convite de Jesus: “Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito”. São Paulo relaciona de forma dialética carne e Espírito. São dois princípios que orientam toda a vida humana. Carne não significa o corpo humano, mas a fonte do pecado. O pecado é o fardo pesado que produz o cansaço e a fadiga. O Espírito designa a presença divina no homem que alivia e capacita a amar.
Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo











