Em alusão ao Setembro Amarelo, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, traz para o debate a prevenção do suicídio e o cuidado com a saúde mental. A Instituição busca promover a conscientização sobre o tema, incentivar a identificação dos sinais de alerta e destacar a necessidade de procurar apoio especializado.
O médico psiquiatra Dr. Edson Cechin, integrante do Corpo Clínico do HSVP, chama a atenção para o cenário do Rio Grande do Sul, que evidencia a necessidade de fortalecer o diagnóstico precoce, facilitar o acesso à assistência especializada e garantir o acompanhamento ao longo do tratamento. Dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS/SES-RS) mostram que o Estado permanece entre os que apresentam as maiores taxas de mortalidade por suicídio do país, com índice mais de duas vezes superior à média nacional.
Panorama nacional e mundial
No mundo, cerca de 727 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, o equivalente a uma taxa global de mortalidade de 8,9 óbitos por 100 mil habitantes, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) citados pela Secretaria de Saúde do RS. Entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio é a terceira causa de morte mais frequente no mundo.
No Brasil, foram registradas 16.533 mortes por suicídio em 2025, uma média de 45 por dia e um crescimento de 25,6%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Na mesma faixa etária de 15 a 29 anos, o suicídio é a quarta causa de morte no país, de acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. As internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) motivadas por lesão autoprovocada também vêm crescendo: foram 11.502 casos em 2023, média de 31 por dia, segundo o Ministério da Saúde.
O Rio Grande do Sul manteve, em 2023, uma taxa de mortalidade por suicídio de 16,07 óbitos por 100 mil habitantes, alta de 47,7% em relação a 2015 (10,88), o maior valor da série histórica estadual. Passo Fundo já figurou, em levantamentos anteriores, entre os municípios brasileiros com as taxas mais altas do país.
“O silêncio pode ser pesado. Muitas vezes, guardamos dores, medos e angústias por acreditar que ninguém vai entender ou que o tempo vai dar conta de resolver tudo sozinho. Mas dar nome ao que sentimos é o primeiro passo para aliviar o peito. Falar é abrir espaço para a cura”, afirma o Dr. Edson Cechin.
Sinais de alerta mudam conforme a fase da vida
O boletim do Ministério da Saúde mostra que a mortalidade por suicídio entre adolescentes de 15 a 19 anos cresceu. No outro extremo da vida, idosos acima de 70 anos registram as taxas mais altas entre todas as faixas etárias.
Para o Dr. Edson Cechin, reconhecer os sinais de cada fase da vida é decisivo para a prevenção:
“Nos jovens, o alerta acende no isolamento, na queda de rendimento, na automutilação ou em falas sobre morte. Nos adultos, a dor costuma se esconder nas crises familiares, dificuldades profissionais, no uso de álcool e drogas ou na perda de perspectivas. E nos idosos, a solidão, o luto, a dor crônica e a dolorosa sensação de ser um peso para os outros exigem o nosso cuidado mais atento”, descreve o psiquiatra.
Buscar ajuda é um passo de coragem
Cechin reforça que o acompanhamento profissional é o caminho mais seguro diante do sofrimento emocional:
“Buscar o acompanhamento de um psicólogo ou de um psiquiatra é um passo de coragem e respeito pela própria vida. A nossa mente também precisa de cuidados, e existem profissionais preparados para acolher a nossa dor e nos ajudar a encontrar o equilíbrio”, diz o médico.
Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), para cada morte por suicídio são registradas 25 tentativas. A entidade atende gratuita e sigilosamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Para acompanhamento médico contínuo, o Dr. Edson Cechin atende em consultório particular em Passo Fundo (RS), mediante agendamento prévio.
“O Setembro Amarelo nos lembra que cuidar de si é urgente. Falar abertamente sobre saúde mental, sem tabus ou julgamentos, é a forma mais poderosa de prevenção. O diálogo constrói caminhos, cuidar da saúde mental é escolher a vida”, finaliza o psiquiatra.
Legenda – Dr. Edson Cechin, psiquiatra integrante do Corpo Clínico do HSVP, reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta em cada faixa etária e de buscar acompanhamento contínuo com profissionais especializados










