Grupo Planalto de comunicação

A vida real e vida virtual: um discernimento necessário

Este
texto está chegando até você, leitor, através de um mecanismo eletrônico, fruto
da inteligência humana. As transformações na área das comunicações têm
empreendido uma grande revolução nas formas de comunicação e relacionamento
humano o que implica também na forma que se lê o mundo.  Por muito tempo as relações humanas se deram
pela proximidade física. A comunicação se dava pela palavra proferida, também
acentuada pela gestualidade, as expressões corporais. Desta interação nasceram relações
de afeto, matrimônios, articulações políticas e entendimentos necessários ao
ser humano e certamente ao desabrochar humano. A proximidade física permitia a
comunicação e o entendimento. A distância física era algo a ser superado.

O
ser humano buscou outras formas de interação. Usou-se a comunicação escrita,
considerada um meio eficaz por muito tempo. Posteriormente surgiu o telégrafo,
o telefone, a radiodifusão e a comunicação passou a ser ampliada e qualificada.
Nos tempos atuais e fruto do avanço tecnológico surgiram as diferentes redes
sociais. Elas ampliaram as possibilidades de comunicação, permitiram que mais
pessoas usufruíssem e têm ditado uma nova forma de relacionalidade entre os
seres humanos, agora de forma virtual. O meio virtual permite a pessoas comunicar-se
com pessoas de diferentes lugares e ao mesmo tempo superando o limite da
distância.

O
processo de relação com os que estão distantes quando não compreendido com
maturidade pode levar a um estreitamento do olhar social, levando a perda de
sensibilidade com os sujeitos que estão no cotidiano da vida. Por isso, além
dos distantes, é necessário visualizar aquelas pessoas que estão ao nosso lado,
carentes do diálogo, da escuta, da troca de experiências e clamando por fraternidade.
O Dicastério para a Comunicação, órgão do Vaticano que reflete o tema afirma: “ser
próximo nas redes sociais significa estar presente nas histórias dos outros,
especialmente de quem sofre. […] Significa defender uma visão integral da
vida humana que, atualmente, abrange o mundo digital. Com efeito, as redes
sociais podem ser um modo de chamar mais atenção para tais realidades e
construir a solidariedade entre aqueles que estão próximos e distantes”
(Rumo
à presença plena: uma reflexão pastoral sobre a participação nas redes sociais”
Rpp).

Certamente,
o fenômeno trouxe comodidade ao ser humano e também ampliou suas possibilidades
de interação em um mundo globalizado. Todavia, passou a orientar novas formas
de comportamento e relações, agora marcadas pela virtualidade. Por muito tempo
compreendeu-se por virtual aquilo que poderá vir a ser, algo em potencial, que ainda
não é a realidade. O contato via rede de internet não é real no sentido da
presença física, da proximidade corpórea.
Hoje, podemos dizer que há uma interdependência entre o real e o
virtual, uma necessita da outra. A dinâmica entre elas é com um tênis de mesa,
ora o real necessita do virtual, ora o virtual necessita da real.

Moises
Sbardelotto, pesquisador da área lembra que: “atualmente, fica cada vez mais
claro que o digital não se opõe ao real nem é meramente “virtual”, mas vivemos
uma experiência onlife” (um online interligado em nossa vida), ou
seja, a vida humana está cada vez mais ligada às redes sociais, de forma direta
(pelas plataformas de bate papo, aplicativos etc.) e indireta (pelas ações do
nosso dia a dia que envolvem o uso de tecnologia, exemplo, o uso de um caixa
eletrônico, o GPS do carro…). Entretanto, com fazer deste meio de comunicação
que está enraizado na vida humana um caminho de aproximação?

Compreende-se
que a proximidade acontece na sua plenitude pela aproximação física, mediada
pelo uso dos sentidos. A virtualidade não permite este processo face a face,
olho no olho e com isso fica impedida uma caminhada de relacionalidade e
conhecimento pessoal, base de uma amizade sóbria e saudável. Pe. Elli Benincá,
professor de filosofia, escreve que a amizade nasce do encontro, da proximidade
física, da troca de informações fundada em uma confiança mútua que se aprofunda
à medida da caminhada que se faz.

Nas
redes sociais nada é fenômeno isolado, tudo tem uma estratégia. Estratégias de vinculação
de informações, de formação de consciência e até de desinformação (as fakes news) que propiciam a dificuldade
de relacionalidade entre os sujeitos. A culminância disso leva ao individualismo
e ao “cegamento” da sociedade frente à sensibilidade com o próximo. Sente-se certa
facilidade em ter “empatia” com uma catástrofe do outro lado do mundo (que
também é importante), mas, dificuldade de sentir compaixão com o irmão faminto
e caído na porta de casa. O compromisso é o mesmo porque ali está o Cristo
sofredor (Mt 25,31). E o compromisso com a verdade está na relação “olho no
olho” e também na relação mediada por uma rede social.

Por fim, as relaçãoes humanas devem ser o foco de todo
processo de relacionalidade, onde seja possível criar laços de amizade e
faternidade. Deste modo as redes sociais devem ser um meio de condução ao
encontro físico e de sociabilidade com as pessoas. Sabe-se que, a sociedade
está inserida neste novo campo de ralacionamentos, por isso, é fundamental  refletir sobre o bom uso destes e a
usabilidade na prática do cotidiano, conduzindo sempre ao encontro com o
próximo e a fraternidade entre os seres humanos.

Pe. Ari Antonio dos Reis

Seminarista William Viinicius Preto

 

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