Os distratos de imóveis de dez grandes incorporadoras de capital aberto somaram R$ 2,167 bilhões no primeiro semestre de 2026. O valor representa um crescimento de 27,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pela VEJA Negócios.
Os distratos correspondem a contratos de compra e venda de imóveis que foram cancelados, fazendo com que essas unidades possam retornar ao estoque das incorporadoras. Entre as empresas analisadas, a Direcional registrou R$ 635,8 milhões em distratos, alta de 69,5%. Já a Tenda teve R$ 340,4 milhões em cancelamentos, incluindo contratos relacionados a um empreendimento afetado por questões ambientais.
O aumento dos cancelamentos ocorre mesmo em um cenário de crescimento nas vendas de imóveis novos. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e da Brain Inteligência Estratégica, as vendas avançaram 5,4% no primeiro semestre, chegando a 226,5 mil unidades.
O cenário, portanto, mostra um mercado dividido: enquanto as vendas continuam crescendo, os cancelamentos também avançam. Um dos fatores apontados está no custo do crédito. Com a Selic em 14%, o financiamento permanece caro e pode dificultar a conclusão da compra, principalmente quando o comprador precisa recorrer ao financiamento bancário na entrega do imóvel.
Apesar da pressão dos juros, o crédito imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre. O programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por metade das vendas no segundo trimestre, enquanto os imóveis de médio e alto padrão perderam participação no mercado.











