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Entrevista: estudo do CRR APAE de Passo Fundo identifica prevalência de autismo de 3,36% em Coxilha Levantamento avaliou 475 crianças de 2,5 a 12 anos e ganhou projeção nacional com publicação nos Cadernos de Saúde Pública, da Fiocruz.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Centro Regional de Referência em TEA (CRR) da APAE de Passo Fundo identificou uma prevalência de autismo de 3,36% entre as crianças de 2,5 a 12 anos de Coxilha, no norte do Rio Grande do Sul. Publicado recentemente nos Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o trabalho abrangeu todas as 475 crianças dessa faixa etária residentes no município.

Ao todo, foram identificados 16 casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), resultado equivalente a aproximadamente uma em cada 30 crianças. Para o neurologista do CRR, Cassiano Forcelini, o principal diferencial está na metodologia adotada. “Ela é inédita porque nunca foi feito um estudo no mundo que avaliou toda uma população. Os que tentam medir a frequência do autismo sempre pegam uma amostra da população e, nós, buscamos alcançar todas as crianças da faixa etária definida no município”, explica.

O trabalho de campo ocorreu entre novembro de 2023 e março de 2024, com a colaboração da Universidade de Passo Fundo (UPF) e o apoio da Prefeitura de Coxilha. Na etapa de triagem, foi utilizada a escala Mini-TEA, ferramenta também desenvolvida pelo CRR APAE de Passo Fundo. A confirmação ou exclusão do diagnóstico ocorreu posteriormente, nos meses de abril e maio de 2024, na própria instituição.
A coordenadora do CRR, Regina Ampese, ressalta que, ao reunir assistência, desenvolvimento de instrumentos de triagem e produção científica, o Centro Regional contribui para ampliar o conhecimento sobre o autismo e gerar informações que podem subsidiar políticas públicas em diferentes esferas. “Os dados podem colaborar para que as políticas públicas sejam planejadas a partir das necessidades reais das pessoas com TEA e suas famílias”, enfatiza.

Regina também destaca a importância de compreender o TEA como uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa ao longo da vida. “Quando a gente fala em doença, se pressupõe uma cura, e o autismo não tem cura. O que existe hoje são terapias e o engajamento e a organização das redes para que essa pessoa desenvolva o máximo da sua capacidade de funcionalidade para estar no convívio social”, conclui.

A pesquisa foi apresentada em entrevista na Rádio Planalto News (92.1). O comunicador Luiz Carlos Carvalho recebeu a jornalista Daniela Censi, a psicóloga Regina Ampese e a psicopedagoga Itamara Danelli, que falaram ao programa Comando Popular.

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