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Eu sou o Bom Pastor!

Pe. Ari Antonio dos Reis

Neste quarto Domingo da Páscoa refletimos, segundo o evangelho de João (Jo 10,1-10), uma das imagens mais significativas referentes a Jesus presentes na Sagrada Escritura, a imagem de Jesus Cristo Bom Pastor. Esta imagem parte da própria auto atribuição do Mestre descrita na continuidade do texto refletido na celebração dominical (Jo 10,11).  Neste Domingo dedica-se a oração pelas vocações, especialmente as vocações ao ministério ordenado com atenção especial à Mensagem do Papa Leão XIV para o dia da qual destacamos a motivação: “convido todos – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos – a empenharem-se cada vez mais em criar ambientes favoráveis para que este dom possa ser acolhido, alimentado, protegido e acompanhado, a fim de dar fruto abundante. Somente se os nossos ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo. Caminhando pela via que Jesus, o Bom Pastor, nos indica, aprendemos então a conhecermo-nos melhor a nós mesmos e a conhecer mais de perto Deus, que nos chamou” (Leão XIV).

Para nós, já marcados pela cultura urbana, parece estranho acolhermos uma imagem agropastoril como uma das principais referências a Jesus de Nazaré e o seu cuidado em relação ao povo. Mas ela já estava presente no Antigo Testamento especialmente no texto de Ezequiel (Ez 34,1-31), quando o profeta faz uma crítica às lideranças de seu tempo que deixaram o povo se perder; afirma a ação de Deus preocupado com a restauração do seu povo; e a inspiração para surgimento de boas lideranças (pastores) comprometidos com o bem do povo. Também no salmo 22 o salmista canta a sua plena confiança e entrega nas mãos do Senhor, porque sabe que Ele visa o seu bem. Já no Novo Testamento contempla-se no nascimento de Jesus que os primeiros que souberam do fato foram os pastores, que estavam a serviço no campo cuidando do rebanho. O pastor de ovelhas era uma profissão conhecida no tempo de Jesus e ensejava grande responsabilidade social e econômica. Ao usar a comparação do pastor Jesus está dialogando com a cultura da época e por isso supõe fácil assimilação dos seus ouvintes.   O texto apresentado neste domingo terá continuidade na celebração de segunda-feira segundo a tradição litúrgica.

Jesus afirma a diferença entre o pastor e o ladrão ou assaltante. Ela está no modo de agir. Um entra de forma sorrateira para não ser visto porque não tem boas intenções. O pastor entra pela porta porque não tem nada a temer ou esconder. Entra para interagir com o rebanho. Tem boa relação com o porteiro e com as ovelhas. Segundo os exegetas era costume as ovelhas ficarem em um redil ou aprisco comum à noite sob a guarda de um porteiro. Ao amanhecer seguiam a voz do seu pastor e iam para as pastagens, pois já o conheciam. O risco era os ladrões roubarem as ovelhas à noite para seu proveito.

Depois de localizar a comparação Jesus critica as lideranças que vieram antes. São comparadas a ladrões e assaltantes porque não buscavam o bem do povo. Ao contrário, trouxeram dor e sofrimento. A crítica volta-se ao passado mas tem acento no presente de Jesus. As lideranças religiosas contemporâneas a Jesus e com as quais Ele tinha sérias desavenças enquadrariam também como prejudiciais ao rebanho. Uma das desavenças que explicita tal postura surgiu quando curou o cego de nascença (Jo 9,1-38). Ele conta a parábola do bom-pastor como denúncia dessas lideranças que não queriam o bem do povo, mas sim mantê-lo na cegueira, submissão e sofrimento. Jesus, assim, está em comunhão com a denúncia de Ezequiel (Ez 34,2-10) e não vai deixar que o povo se perca pela ganância de seus líderes.

Como resposta se apresenta como a porta, a mediação para uma vida boa e digna para o povo segundo a sua liberdade. Por isso, a sua condição primeira para a ação: “para que todos tenham vida e vida em abundância”. Ele faz da sua vida um serviço ao povo a Ele confiado pelo Pai.

Jesus o Bom Pastor é inspiração para todas as vocações e também para os jovens que buscam dar um sentido às suas vidas. Este pode estar na atitude de colocar-se a serviço do Reino como o próprio Jesus ensina.

Pe. Ari Antonio dos Reis

 

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