O esgotamento da cota de importação de carne bovina brasileira com tarifa reduzida na China já começa a impactar a cadeia produtiva no Brasil. Diante da perspectiva de menor competitividade das exportações para o principal mercado comprador da carne bovina nacional, frigoríficos estão reduzindo abates, suspendendo turnos e concedendo férias coletivas a funcionários.
A expectativa do setor é que o limite de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas exportadas sem tarifa seja atingido entre julho e agosto. Após esse volume, passa a incidir uma taxação maior sobre o produto brasileiro, elevando os custos e reduzindo a atratividade das vendas para o mercado chinês.
Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, as indústrias já ajustam a produção para um cenário de menor participação da China nas compras de carne bovina brasileira.
Como reflexo, a quantidade de animais abatidos está diminuindo. A China responde por quase metade das exportações brasileiras do setor e absorve entre 15% e 20% de toda a produção nacional de carne bovina.
Os primeiros impactos devem ser sentidos pelos pecuaristas. A expectativa é de queda no valor da arroba do boi gordo, enquanto os preços da carne no atacado também podem recuar. No entanto, especialistas avaliam que essa redução tende a chegar de forma limitada ao consumidor final.
No Rio Grande do Sul, uma das plantas frigoríficas habilitadas para exportar à China já adotou férias coletivas. Conforme o Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sicadergs), as empresas começaram a adequar a produção antes mesmo do esgotamento oficial da cota, interrompendo parte da fabricação destinada ao mercado chinês.
Paralelamente, o setor busca ampliar a presença em outros mercados internacionais para reduzir a dependência da China. Entre os destinos considerados estratégicos estão os Estados Unidos e outros países com demanda crescente por carne bovina. A expectativa é que a diversificação das exportações ajude a minimizar os impactos das restrições impostas pelo principal parceiro comercial do segmento.
Com informações do Canal Rural.










