Nesta terça-feira (18), a constatação de uma ligação clandestina de energia elétrica em uma estrutura privada mobilizou autoridades na ERS-324, na saída de Passo Fundo em direção a Carazinho.
Segundo as informações obtidas pela reportagem do Grupo Planalto de Comunicação, funcionários e responsáveis por uma empresa cerealista, que possui uma estrutura de silos às margens da rodovia, identificaram uma intervenção não autorizada no transformador da unidade. A ligação, conhecida popularmente como “gato”, teria sido realizada para levar energia até um acampamento indígena instalado nas proximidades.
Um cabo elétrico foi conectado ao transformador da empresa e estendido em direção ao acampamento, passando pela área existente entre a estrutura da empresa e o local onde estão instaladas as barracas.
A situação chamou a atenção devido aos riscos relacionados à utilização de uma ligação improvisada e não autorizada, especialmente pela possibilidade de curto-circuito, sobrecarga do equipamento e acidentes envolvendo a própria fiação elétrica.
O caso foi comunicado às forças de segurança e à concessionária responsável pela distribuição de energia, para a adoção das medidas necessárias, incluindo a verificação da instalação e o desligamento da ligação irregular, além do registro formal da ocorrência.
Ocupação indígena gera desdobramentos judiciais
A situação ocorre em meio a uma série de impasses envolvendo a permanência de famílias indígenas acampadas em áreas próximas à ERS-324 e à malha ferroviária, na saída de Passo Fundo.
Decisões da Justiça Federal determinaram a cientificação dos ocupantes a respeito da utilização de faixas federais e áreas limítrofes, com previsão de aplicação de multas em caso de descumprimento das determinações judiciais ou avanço sobre propriedades particulares.
Também foram registrados episódios de atrito entre ocupantes e proprietários de áreas rurais nas proximidades da região da Nenê Graeff e da ponte seca. Em algumas situações, a Brigada Militar precisou atuar para mediar os conflitos e evitar que as discussões evoluíssem.
As condições de infraestrutura dos acampamentos também são motivo de preocupação. A falta de acesso regular a serviços essenciais, como água e energia elétrica, tem gerado demandas e reclamações, enquanto produtores rurais relatam problemas relacionados a intervenções e interrupções em redes elétricas da região.
As lideranças indígenas afirmam que as famílias permanecem nos locais diante da falta de áreas homologadas consideradas suficientes para receber grupos oriundos de outras reservas do Norte do Rio Grande do Sul. A permanência nos acampamentos, segundo os representantes, também busca pressionar os órgãos federais pela definição de soluções para a questão territorial.
A situação segue sendo acompanhada pelas forças de segurança, órgãos de fiscalização e autoridades judiciais.
Reportagem: Jeferson Vargas












