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Nossa Senhora Aparecida: uma mãe que visita seus filhos

Pe. Ari Antonio dos Reis

Neste final de semana estamos envolvidos com uma grande Solenidade, a memória de Nossa Senhora Aparecida, encontrada nas águas do Rio Paraíba em 1717 por três pescadores e se tornou a “visita” ilustre na casa de um deles e posteriormente na vida e no coração dos brasileiros.

A visita de uma forma geral tem uma dimensão afetiva significativa. É a atitude de manter os laços de afeto e carinho entre as pessoas. Visitamos porque queremos bem e manifestamos este bem querer visitando a pessoa. Visitamos também para levar solidariedade diante do luto, consolo na doença, alegria na confraternização. Recebemos a pessoa querida que nos visita com alegria porque a sua presença nos faz bem, dá alegria e leveza ao nosso viver.

O evangelho de Lucas nos faz recordar a visita com um acento teológico com destaque especial à visita do anjo do Senhor ao velho Zacarias (Lc 1,11); a visita do anjo Gabriel à Maria (Lc 1,26) e a visita de Maria a Isabel (Lc 1,39). Tais visitas precedem a visita do Salvador à humanidade, a encarnação do verbo (Jo1,14). Em Jesus visita seus filhos e filhas em vista da salvação.

Após percorrer com o Filho o caminho missionário, enfrentar com Ele a cruz e alegrar-se com a ressurreição, Maria foi assunta ao céu. Contudo, não deixou de visitar a humanidade para lembrar o plano de amor de Deus com o povo e o compromisso da humanidade com este plano. Nas visitas ou aparições, Maria presta um serviço à humanidade. Ela sempre aponta, nas visitas, a necessidade de buscar o seu Filho.  O encontro com ela é mediação para um encontro maior, com o seu filho, o Salvador. Então, nas aparições, Maria lembra a necessidade do voltar-se para Jesus. É como se a mãe, como se pegasse cada ser humano pela mão para caminhar ao encontro do Filho para viver com Ele uma experiência transformadora. As visitas de Maria são de mediação de serviço à causa do Reino. São também visitas de consolação de lembrança da presença materna.

No episódio nas águas do rio Paraíba nota-se uma estratégia da mãe. Ela não aparece, deixa-se encontrar. E o encontro dá-se em dois momentos diferenciados. Primeiro os pescadores encontram o corpo, depois a cabeça. E vai criando com aqueles homens um processo de recomposição e restauração diante do medo e do sofrimento que se sobrepunham a eles. Deixando-se encontrar ela vai ao encontro daqueles homens tranquilizando seus corações, posteriormente encontra com suas famílias e depois encontra toda a comunidade. Ela vai visitar seus filhos e filhas levando-lhes o amor do Pai. Mas ela permite algo real, perceptível. De antemão eles conseguem muitos peixes. A transformação começava a acontecer.

Era o contexto da escravidão, quando se autorizava, pela origem étnica da pessoa, o direito à expropriação da sua força de trabalho e à usurpação da sua dignidade. Então, ela aparece enegrecida, fazendo companheira negra daqueles homens e mulheres escravizados. Fortalece sua aliança com os negros e negras ao libertar o escravo Zacarias da violência do seu senhor. A mãe toma o lado dos fracos e despossuídos, dos que estão com a vida e a dignidade ameaçadas.

Era também época de pobreza. Ela foi acolhida em moradias pobres. Não foi para a casa grande ou para o palácio. É como se dissesse: “o meu lugar é junto de vocês, para amparar e cuidar de vocês”. E os pobres deram um jeito de fazer um altar para a mãe. Ela era uma visita muito importante. Precisava de um lugar de destaque.

Alguém chamou atenção sobre um detalhe da imagem: “ela está sorrindo”. Com certeza, a mãe sorri para os filhos. Está feliz no meio deles, junto a eles. Assim a pessoa deve sentir-se feliz na frente da mãe porque está amparada por ela.  Criou-se uma grande comunhão de fé e amor. O povo sentindo-se visitado pela mãe entrega para ela a sua vida nas dores, alegrias, tristezas e esperanças.

No domingo, dia 11 de outubro e na segunda-feira, dia 12 de outubro, muitas pessoas irão caminhar. A mãe convoca para esta caminhada. Alguns irão em silêncio. Outros irão rezando. Alguns irão sozinhos. Outros irão com amigos ou em família. A caminhada faz parte do roteiro de fé e devoção tradicional na Arquidiocese de Passo Fundo.

Chegando ao Santuário Arquidiocesano, depois da caminhada, o caminhante visitará a imagem, para tocar, olhar para ela, dizer uma prece, retribuir a visita. É  um gesto simples, porém muito  profundo. A mãe entende. O povo entende.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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