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Pet Terapia da UPF completa 10 anos de cuidado e acolhimento Pioneiro na região, projeto reúne animais terapeutas, profissionais da saúde e voluntários para complementar o tratamento de pacientes internados no Hospital São Vicente de Paulo

Foto: Camila Guedes
Há dez anos, a Universidade de Passo Fundo (UPF) transformou o carinho dos animais em uma ferramenta de cuidado para pacientes em internação. Pioneiro na região, o projeto Pet Terapia, realizado em parceria com o Hospital São Vicente de Paulo, completa uma década levando animais ao ambiente hospitalar para proporcionar momentos de acolhimento, leveza e bem-estar a crianças e idosos que enfrentam longos períodos de tratamento. São sessões que, além dos momentos de descontração, ajudam a reduzir a ansiedade, estimulam a interação social e tornam o ambiente hospitalar mais humano.

Criado em 2016, o projeto surgiu com uma proposta inovadora: incorporar a interação entre humanos e animais como uma terapia complementar aos cuidados convencionais. Hoje, cerca de 12 pets terapeutas participam das atividades, realizadas duas vezes por semana, sempre acompanhados por médicos-veterinários e residentes da área da saúde, que planejam cada atendimento de acordo com o perfil e as necessidades de cada paciente. “A pet terapia promove esse momento de interação com os animais como uma forma de cuidado, de distração, de redução de estresse, redução de ansiedade, muito em função do tempo de internação e esse momento de esquecer por uns minutos do tratamento, esquecer da doença”, explica a coordenadora do projeto e professora do curso de Medicina Veterinária Giseli Ritterbush.

Todo o processo de escolha tanto de paciente quanto dos animais que serão os pet terapeutas envolve um trabalho rigoroso da equipe multidisciplinar do Hospital São Vicente de Paulo e dos médicos veterinários do Hospital Veterinário da UPF. “Após a escolha do paciente, é feito um cruzamento entre o perfil do paciente e do pet terapeuta. Uma criança, por exemplo, que tem condições de brincar, de jogar a bolinha, de interagir, vai receber a visita de um pet com esse perfil. Se for um paciente com mais restrições, nós selecionamos um pet mais tranquilo, que vai ficar no colo recebendo carinho. Então, esse cruzamento de perfis é feito de forma conjunta entre as equipes”, conta.

Outro cuidado da equipe é com a escolha dos animais que farão parte do projeto. Conforme explica a professora, para se tornar pet terapeuta, o animal passa por uma avaliação prévia com os médicos veterinários do HV que inclui, além da avaliação clínica, exames de sangue, fezes e avaliação de comportamento. “Esse animal tem que ser dócil, ele precisa aceitar comandos, aceitar carinho de pessoas estranhas, porque a sessão é conduzida na ausência do seu responsável, então o animal tem que se comportar bem longe do seu tutor e diante de pessoas estranhas. A partir do momento que ele passa nesses testes, a gente faz avaliação também de vacinações em dia, vermífugos, avaliações periódicas ao longo do ano com os nossos veterinários também, para que ele possa continuar”, frisa Giseli.

Além dos cuidados com os pacientes, a equipe também está sempre atenta à saúde dos pets que participam da atividade. “Durante a sessão, é de responsabilidade dos nossos médicos veterinários avaliarem o comportamento desse animal também, se ele tem algum sinal de estresse, por exemplo. Em dias mais quentes, a gente oferece água fresca para ele durante as sessões, levar ele para o gramadinho se for necessário por alguns minutos, então esse olhar atento também para ver se o animal está cansado, se ele se estressou, se está na hora de parar. Então, a gente observa isso e também atende essa necessidade de bem-estar desse terapeuta”, completa.

Atividade promove melhor adesão ao tratamento
Ao longo de 10 anos de projeto, a equipe observa muitos benefícios da atividade para os pacientes. De acordo com a professora Giseli, entre os benefícios imediatos, ainda durante a sessão, é possível observar um aumento na socialização, no contato com a equipe que está ali para promover a atividade. “Ela une a família em uma conversa informal: durante aqueles 45 minutos que tem a duração da sessão, se fala sobre outras coisas, se tem a possibilidade de resgate de memórias também. É como se essa criança tivesse a oportunidade de voltar para a casa dela, falar sobre os cachorrinhos que ela tem em casa e isso traz resultados muito positivos”, pontua destacando, entre outros resultados, a diminuição da ansiedade, do estresse e o aumento da adesão ao tratamento. “É bem comum só pelo fato de saber que vai participar da pet terapia, o paciente se preparar para aquele momento. Então, a criança almoça para estar forte para brincar. Além disso, é um exercício, uma atividade motora, por menor que seja, que quase sempre é realizada ao ar livre, o que também faz diferença no tratamento”, acrescenta.

Além dos pacientes, o projeto também contribui para a formação dos residentes em Medicina Veterinária. “É uma atividade de integração multiprofissional e para os nossos residentes isso é muito importante, porque eles vão aprender também com as equipes do hospital, conversar sobre o atendimento daquele paciente, interagir com a família, então todo esse trabalho multiprofissional ajuda na formação integrada também dos nossos residentes”, fala, reforçando que a ação faz parte da natureza comunitária da Universidade. “Quando a gente pensa, enquanto universidade comunitária, a gente tem esse papel de levar o nosso conhecimento, os nossos saberes para fora dos muros da Universidade, além das salas de aula. Então, a pet terapia tem esse papel de levar o nosso trabalho, os nossos animais, o nosso esforço, nossa dedicação para dentro de um hospital, atender pessoas que estão precisando. A pet terapia não vai substituir as terapias convencionais, mas sim potencializar esse cuidado”, complementa.
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