Anunciada nesta semana pelo presidente Donald Trump, a tarifa adicional de 25% a produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos terá impacto sobre 48,2% das vendas gaúchas ao mercado norte-americano. O cálculo é da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), por meio de seu Conselho de Comércio Exterior e da Unidade de Estudos Econômicos.
Ainda estão sujeitos a tarifas setoriais outros itens, tais como aço, alumínio e derivados, que representam quase 37% dos embarques com esse mesmo destino. Dessa forma, mais de 85% das vendas do Rio Grande do Sul aos Estados Unidos estão sob impacto de taxação extra, que autoridades e especialistas classificam como injustificada.
O documento final divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) ampliou a lista de exceções em relação à proposta inicial. Mas a maior parte dos produtos exportados pelo País – e pelo Estado – permanece enquadrada pela nova cobrança.
No caso do Rio Grande do Sul, cerca de 2% do total exportado aos norte-americanos entrou nesta lista de exceções, com destaque para alguns itens de couro e pescado. O índice é relativamente baixo, mas mantém um elevado nível de restrição ao comércio bilateral, com redução da competitividade da indústria gaúcha naquele mercado e riscos a aspectos como emprego e renda.
“Lamentamos a decisão dos Estados Unidos porque penaliza a indústria brasileira e a competitividade das empresas gaúchas”, declarou o presidente da Fiergs, Claudio Bier. “Embora a lista de exceções tenha sido ampliada, a maior parte das exportações continua alcançada pela medida. Além disso, a tarifa de 25% coloca o Brasil entre os países com maior custo de acesso ao mercado norte-americano, atrás somente da China, ampliando nossa desvantagem frente aos principais concorrentes internacionais”.
Os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações gaúchas e um dos principais mercados para produtos gaúchos industrializados. Segmentos relevantes, como máquinas, equipamentos elétricos, móveis, calçados, produtos metalúrgicos, armas-de-fogo, munições, tabaco e diversos bens manufaturados, continuam dentre os mais afetados pela medida.
A nova tarifa entrará em vigor na próxima quarta-feria (22). O ato prevê uma regra de transição para mercadorias embarcadas antes dessa data, desde que ingressem para consumo nos Estados Unidos até o dia 29 deste mês.
Entidade defende negociação
Bier considera fundamental a manutenção de tratativas entre os governos brasileiro e norte-americano, a fim de se obter a reversão do novo tarifaço ou, ao menos, ampliação da lista de produtos contemplados por exceções. Caso as autoridades dos Estados Unidos se mostrem irredutíveis, ele defende a adoção de medidas compensatórias e ações em benefício dos segmentos mais atingidos:
“Ao mesmo tempo, é necessário preparar políticas públicas de apoio aos setores mais afetados, nos moldes das adotadas em 2025, com linhas especiais de financiamento e iniciativas em auxílio das empresas impactadas. O momento exige atuação coordenada, técnica e diplomática para preservar a capacidade competitiva da indústria brasileira e minimizar os efeitos sobre a economia e o emprego”.
Histórico do tarifaço de Trump
A escalada das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros teve início em abril do ano passado, com o anúncio de tarifas recíprocas de 10% a diversos países. Em agosto, o governo norte-americano elevou a taxa para 50% (10% + sobretaxa de 40%) sobre produtos brasileiros, porpém mantendo uma lista de exceções que contemplava cerca de 700 itens.
Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu retirar essas tarifas. Donald Trump então aplicou tarifa temporária de 10% a todos os mercados externos. Já no mês passado, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos concluiu recomendou a aplicação de taxação adicional de 25%, exclusivamente para produtos brasileiros – medida agora anunciada.
Uma imposição complementar de 12,5% está em análise e pode ser aplicada até março do ano que vem para produtos brasileiros e de outros países. De acordo com Trump, trata-se de uma retaliação ao suposto fato de que o Brasil adota “práticas comerciais desleais” – como o uso do sistema pix – que prejudicam as empresas americanas.
Fonte: jornal O Sul










