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UPF lança projeto para discutir desafios das relações étnico-raciais no ensino superior

A inserção de negros e indígenas no ensino superior ainda é muito pequena no Brasil. Entre os jovens de 18 a 24 anos que estão em universidades e faculdades, mais de 62% são brancos. Com essa preocupação, a Universidade de Passo Fundo (UPF) em parceria com diversas entidades, lança o projeto de extensão “UPF e movimentos sociais: desafio das relações étnico-raciais”. O objetivo é desenvolver processos para a promoção das culturas indígena e negra de forma articulada entre a Universidade e movimentos sociais, de tal forma que esses grupos étnicos sejam protagonistas.

O convênio entre a Fundação UPF, a UPF, a Prefeitura de Passo Fundo, a Associação Cultural de Mulheres Negras, a Associação dos Remanescentes do Quilombo Mormaça, a Associação dos Remanascentes do Quilombo Arvinha, a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo e a Sociedade Beneficente e Cultural Ilê Asé Alafim Aganju Jetioká foi assinado na noite da última quarta-feira (29/05) durante uma atividade do projeto Espaço Pedagógico da Faculdade de Educação (Faed). Além da assinatura e apresentação do projeto, vários grupos artísticos também participaram.

Projeto

O coordenador do projeto, professor Frederico Santos dos Santos, explica que o objetivo do convênio com grupos de indígenas e negros é o de promover as culturas desses grupos na Universidade para além das orientações do Ministério da Educação.  “Queremos pensar como podemos tornar esses grupos reconhecidos no espaço da universidade. Se quisermos formar profissionais mais cidadãos que não cometam práticas preconceituosas e racistas, é importante que a formação acadêmica dê conta disso, e o projeto vem ao encontro dessa necessidade”, observa. A intenção é que a atuação da Universidade possa ainda extrapolar os limites físicos do campus e ir até essas comunidades para fazer essas articulações. O projeto prevê ainda a realização de um Seminário Integrador de Educação das Relações Étnico-Raciais que será construído, ao longo do processo e tem realização prevista para novembro deste ano.

Convênio

Durante a assinatura do convênio, o reitor da UPF José Carlos Carles de Souza enfatizou que este é mais um passo de inserção regional da Universidade. Na opinião do professor José Carlos, a inclusão desses grupos no dia-a-dia da UPF permitirá uma produção de conhecimentos baseada na pluralidade, além de modificar valores em busca de uma sociedade mais inclusiva. 

Para a vice-reitora de Extensão e Assuntos Comunitários Bernadete Maria Dalmolin o projeto representa o reconhecimento de que é preciso ampliar as relações, especialmente com a diversidade existente no território regional. “Talvez ao longo da nossa história tenhamos sido tímidos nessa questão das populações afrodescendentes e indígenas e, nesse trabalho, estamos repensando a Universidade. Não só para dar acesso a essa população, mas para podermos discutir posturas, construir conhecimento e discutir atitudes que contemplem todo esse universo”, pontuou. Para ela, o mais importante do trabalho é o fato de os projetos serem pensados pela coletividade.

Para a coordenadora executiva da Associação de Mulheres Negras do Rio Grande do Sul e assessora da Diversidade Étnico-Racial da 7ª CRE Francisca Isabel Bueno, o projeto é uma conquista e uma resposta às lutas do povo negro. “Nossa expectativa é de que não paremos nesse projeto, mas que possamos permanecer com iniciativas assim por muitos anos até que chegue uma hora em que a equidade de raça e de gênero seja tão natural que não precise ter mais projetos para isso”, pontuou. Ela destacou ainda que falar de cultura afro-brasileira é lembrar a história do Brasil. “Apesar das legislações já existentes é preciso que os educadores trabalhem ainda nas series iniciais para que os alunos negros estejam preparados para estar nas universidades”.

A abertura contou ainda com a presença do coordenador da Igualdade Racial em Passo Fundo Júlio Cesar Carvalho, da coordenadora da 7ª CRE Marlene Silvestrin, da diretora da Faed Eliara Levinski, da mais bela negra do Rio Grande do Sul Mariana da Rosa Prates, e da representante da Sociedade Beneficente Ilê Asé Carmen Holanda.

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