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Ministério Público aponta nepotismo e filho de prefeito deixa Secretaria da Fazenda em Ibirapuitã Jovem foi nomeado um dia após completar 18 anos e ainda cursava o ensino médio; ele permaneceu no cargo por quase nove meses

Foto: Prefeitura de Ibirapuitã e redes sociais

O prefeito de Ibirapuitã, no Norte do Rio Grande do Sul, Rosemar Hentges, exonerou o próprio filho, Lorenzo Hentges, do cargo de secretário municipal da Fazenda após recomendação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). A exoneração foi cumprida nesta quarta-feira (11).

O caso chegou ao Ministério Público por meio de uma denúncia anônima. Lorenzo havia sido nomeado para o cargo em 23 de junho de 2025, um dia depois de completar 18 anos. Para a promotora Ana Maria Dal Moro Maito, a nomeação ocorreu em razão do vínculo familiar entre pai e filho, caracterizando nepotismo.

Segundo o MP, o jovem não possuía a qualificação técnica necessária para exercer a função. Conforme a documentação enviada pela prefeitura, Lorenzo ainda cursava o ano do ensino médio quando assumiu a secretaria.

O Ministério Público destacou que o cargo de secretário da Fazenda exige elevada qualificação técnica, incluindo conhecimentos em finanças e administração pública, contabilidade, orçamento e gestão fiscal. Para a promotoria, cargos públicos remunerados com recursos públicos devem ser ocupados por profissionais capacitados, e não apenas por relações de confiança ou laços familiares.

Neste ano, Lorenzo ingressou no curso de Direito na Universidade Federal de Passo Fundo. Durante o período em que permaneceu no cargo, cerca de nove meses, o último salário recebido por ele foi de R$ 5.271,21, pago no início de março.

Em contato com a reportagem, o prefeito Rosemar Hentges afirmou que prefere não comentar o caso de forma mais ampla, destacando que a exoneração do filho ocorreu após uma orientação do Ministério Público. Segundo ele, a administração apresentou defesa, mas decidiu acatar a recomendação para evitar um confronto institucional. O prefeito também ressaltou que considera o cargo de secretário um posto político e de confiança, comum em administrações públicas, e que a legislação municipal permitiria esse tipo de nomeação. Ainda assim, afirmou que optou por respeitar o entendimento do Ministério Público.

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